quarta-feira, 1 de abril de 2009

É agora: começa nesta quarta a eleição de delegados para o Congresso da UNE

Atenção integrantes do movimento Da Unidade Vai Nascer a Novidade: tem início nesta quarta feira (01/04) a eleição de delegados para o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes. O processo eleitoral acontece em voto em urna, por universidades, e cada chapa participante do pleito terá direito de enviar ao Congresso o número de delegados proporcional aos votos obtidos.

Os integrantes do movimento Da Unidade Vai Nascer a Novidade já estão posicionados, em todos os estados do país, e devem começar imediatamente os processos com o objetivo de atingir um grande contingente de estudantes e realizar a maior campanha já vista para um Congresso da UNE.

Para tanto, é imprescindível que a militância da UJS esteja consciente do tamanho do desafio que está colocado. "Realizar a maior campanha já vista para um Congresso da UNE não é uma questão de marca que estabelecemos. É uma necessidade política que precisamos atingir para vencer o Congresso e impulsionar o movimento estudantil nas grandes batalhas que teremos até as eleições de 2010, que talvez seja o maior desafio dessa geração de militantes", observa Márcio Cabral, diretor de movimento estudantil universitário da UJS e coordenador do movimento Da Unidade Vai Nascer a Novidade.

Todo gás para embalar a campanha

Dar conta desse recado vai exigir muita concentração, disposição e capacidade de diálogo por parte dos membros da UJS, avalia Ossi Ferreira, responsável pela mobilização nacional da UJS. "Toda a UJS deve estar pulsando em sintonia com essa campanha. Desde já é preciso definir as tarefas de todos os militantes, com ênfase especial para a eleição dos delegados. Estamos na fase de fazer engrenar a mobilização, passando nossa tropa em revista, dividindo responsabilidades e invadindo as universidades de acordo com os planejamentos elaborados em cada local e discutidos com a direção nacional", diz.

"Igualmente é necessário estar inteirado dos debates que nosso movimento, Da Unidade Vai Nascer a Novidade, propõe para o Congresso. Reuniões, encontros e debates já foram realizados. Panfletos, adesivos, cartazes e cupons já foram confeccionados e enviados para os estados. Portanto, nossa campanha já tem todas as condições de ir para as salas de aula", completa Ossi.

Atenção às regras da eleição

Para não vacilar, todos os passos do procedimento eleitoral da UNE (as regras completas podem ser encontradas no www.une.org.br) devem estar na memória e na ponta da língua dos militantes.

"Nesse método de eleição, os menores detalhes podem atrapalhar, o que requer muita organização de nossa parte. Uma das características da nossa força política em seus 25 anos de ligação com o movimento estudantil é o zelo pela democracia. Por isso, somos os mais determinados em observar todas as regras eleitorais definidas pela UNE", alerta Márcio Cabral.

Política de finanças para a campanha

Outro ponto decisivo para o sucesso da campanha é o planejamento financeiro e a busca coletiva para alavancar os recursos necessários para a mobilização e transporte. Segundo Anderson de Oliveira, diretor de finanças da UJS, "de maneira a possibilitar que os locais compartilhem a responsabilidade pela obtenção dos recursos, fizemos e distribuímos cupons para que a militância faça pedágios e atividades de arrecadação".

"Ao lado da movimentação para viabilizar as movimentações do cotidiano da campanha, é dever das direções anteciparem os contatos para conseguir o transporte das delegações, tanto para os congressos de entidades estaduais quanto para o Congresso da UNE", conclui.

Conferência Nacional de Educação – qual será o centro do debate? (parte 2)

Para além do corporativismo de classe e o neoprodutivismo e a sua necessária superação


Nas últimas décadas brasileiras a contradição emergente se dá nas relações entre um acelerado crescimento urbano provocado pela industrialização que acabam por operar em pressões sociais nas mais diversas esferas públicas, dentre estas, na necessidade de expansão da escolarização. Para isto, um sistema de ensino conservador e arcaico como o modelo brasileiro de escola torna-se um impedimento ao sistema econômico, o que por si só já é suficiente para que ocorram manifestações em diversas esferas para que a educação assuma papel na superação dos entraves para o desenvolvimento.

Para tanto, é fundamental para um país que queira superar os obstáculos para o seu desenvolvimento que o sistema educacional se renove. Mas é fundamental também compreender que esse fenômeno se debate sistematicamente com uma estrutura de Estado que apresenta um forte grau de desequilíbrio histórico, o que estabelece contradições tamanhas que vão permear fortemente a disputa de projeto nacional, onde a educação passa a ser uma pauta de forte apelo.

Exemplo recente disto tem sido tanto os esforços dos setores progressistas e dos movimentos educacionais pela democratização da educação pública e a sua relevância política e cultural que são acompanhados de perto por movimentos empresariais expressos no último período pelo movimento “Todos pela educação” que se afirma em seu próprio programa como “um movimento que tem como objetivo contribuir para que o País consiga garantir Educação de qualidade para todos os brasileiros.” É interessante destacar que os signatários deste movimento são nada menos que o Banco Real, a Depaschoal, a Fundação Bradesco, a Fundação Itaú, a Gerdau, o Instituto Camargo Corrêa, a Odebrecht, a Suzano, etc.

Antes de explicitar os principais objetivos dos movimentos históricos de defesa da educação, cabe aqui dedicar atenção aos reais objetivos do chamado setor privado no desenvolvimento da educação brasileira.


A educação escolar e as demandas do desenvolvimento

Segundo Romanelli

ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da Educação no Brasil. 33ª ed. Vozes : Petrópolis,RJ, 2008. (2008, p. 25), “a herança cultural, influindo diretamente sobre a composição e os objetivos perseguidos pela demanda escolar, os rumos que toma a economia, criando novas necessidades de qualificação profissional, e a expansão da educação escolarizada, obedecendo à pressão desses dois fatores, compõem o quadro situacional das relações existentes entre educação e desenvolvimento.” Eis que surge no Brasil uma demanda que unifica todos os setores – uma educação para o desenvolvimento.

Neste sentido que ganhou força a concepção neoprodutivista que teve seu inicio no produtivismo e no tecnicismo educacional que permeou as reformas durante o período da ditadura militar e que foi refuncionalizada durante os governo de Fernando Henrique Cardoso. Tendo como ênfase a qualidade social da educação, o neoprodutivismo alcançou sua nova roupagem no projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no projeto de Darcy Ribeiro, e que teve continuidade com a regulamentação de seus dispositivos na aprovação do atual Plano Nacional de Educação (PNE).

Ou seja, a educação deixa de ser uma demanda histórica da nação para assumir interesses privados, que esbarram somente na capacidade de produção do país. Eis um debate que permeará com força a Conferência Nacional de Educação, pois o segmento empresarial encontra-se altamente articulado com o Estado, com os meios de comunicação e influenciam decisivamente na formação da opinião pública. É preciso então restabelecer um campo contra hegemônico que enfrente este debate sem desmerecer os elementos constitutivos do projeto neoprodutivista, mas que chame a atenção para que a educação assuma tarefa muito maior do que somente a formação de mão de obra qualificada, ou seja, para que a educação brasileira ajude a desenhar um novo estado independente e desenvolvido e que faça frente a atual crise sistêmica do atual modelo de desenvolvimento.

A educação se insere nos marcos da capacidade de um determinado país em apresentar saídas para os entraves ao seu desenvolvimento e, para tanto, cabe ressaltar que a disputa da autoridade pública frente ao problema da escolarização brasileira precisa apresentar um projeto que supere o produtivismo e que afirme parâmetros claros a serem defendidos no novo Plano Nacional de Educação, o que passa a ser a tarefa central na Conae.


Márcio Cabral, estudante de Pedagogia da UNIFESP e membro da Executiva Nacional da UJS.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Conferência Nacional de Educação – qual será o centro do debate?

“Qualquer pessoa que se recuse a assumir
a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças,
e é preciso proibi-la de tomar parte em sua educação.” (Hannad Arendt)

Hannad Arendt, filosofa alemã, em seu artigo “A crise da educação”, afirmava que ter responsabilidade pelo mundo assume, na contemporaneidade, a forma de autoridade, fato este que deve ser reconhecido para muito além da qualificação ou da capacitação. Talvez esta seja uma das explicações para o atual estado da educação pública brasileira – ausência de autoridade legítima ou total falência da responsabilidade coletiva sobre o ato de educar as novas gerações. E é interessante relacionar este pensamento ao fato histórico da convocação da Conferência Nacional de Educação – Conae, que tem como tarefa central a construção do sistema nacional integrado, além de debater o novo Plano Nacional de Educação – PNE.

O objetivo proposto pela Conae não é nenhuma novidade, pois esta tem sido a pauta principal do movimento progressista em educação no Brasil. É possível identificar na história ressente da República a legitimação de interesses privados em detrimento do bem público, e lógico, que a educação pública também esteve permeada por este enfoque.

Há no sistema educacional brasileiro uma forte contradição. A escola de massas que se consolidou nas últimas décadas permanece distante da formação necessária que o próprio sistema capitalista coloca como condição essencial à formação do homem ativo, produtivo e integrado. Neste sentido, nos ofereceram duas alternativas para elegermos um culpado para o fracasso da educação brasileira. O primeiro trata de responsabilizar a escola, pois diz-se que esta encontra-se despreparada para educar, instruir e profissionalizar. De outro lado, a própria escola trata de culpar a sociedade por esta ter se desresponsabilizado pela educação de seus filhos, ou ainda, de forma mais imediatista, trata de eleger o aluno como desinteressado, incapaz e problemático.

Em meio a tudo isso a questão da autoridade surge como um alerta social capaz de enfrentar esta falsa contradição. A escola tem sido o primeiro canal de relação da criança com o mundo. No entanto, a escola não é, de modo algum, o mundo e jamais deverá sê-lo. Assumir autoridade é um primeiro passo para esse resgate. Como dizia Arendt, “quanto mais radical se torna a desconfiança face à autoridade na esfera pública, mais aumenta, naturalmente, a probabilidade de que a esfera privada não permaneça incólume.” Portanto, é preciso resgatar a autoridade pública frente aos desafios de educar uma nação. Não nos será permitido relegar somente à escola o papel de educar nossos filhos. Para tanto, o Estado (não o governo) deve assumir para si o resgate da autoridade e, assim, ser capaz de responsabilizar também a sociedade para tal.

É nisto que se fundamenta a necessária ação articulada do campo progressista na Conferência Nacional de Educação. Precisamos restabelecer os atores e apontar os papéis corretos para que a educação pública assuma a sua real tarefa, pois é nela que reside “o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele”. (Arendt)

Responsabilizar-se é, neste sentido, delegarmos com clareza o papel do Estado, da sociedade e da escola frente à educação e aprendizagem. E isso não será feito se o palco propício para isto se tornar objeto de disputas corporativas incapazes de identificar o centro do embate: a ampliação da educação e a sua tarefa pública frente aos interesses privados e fragmentados que permeiam esta discussão, resgatando o citivas mundi, onde a educação assuma a formação do sujeito “mundanizado”, ativo, liberado de vínculos e ordens e crítico frente aos desafios de seu tempo.

Márcio Cabral, estudante de Pedagogia da UNIFESP, membro da Executiva Nacional da UJS e da coordenação do movimento Da Unidade Vai Nascer a Novidade

sexta-feira, 20 de março de 2009

Movimento Da Unidade Vai Nascer a Novidade vence eleições do DCE da UNIP em São Paulo

Terminou na noite desta quinta-feira a eleição da nova diretoria do DCE da Universidade Paulista (UNIP) da capital. A chapa "Da Unidade Vai Nascer a Novidade", apoiada pela UJS, venceu o pleito, obtendo cerca de 5700 votos.

O primeiro desafio dos novos componentes do Diretório Central de Estudantes será organizar a participação no Coneg da UNE e a recepção de estudantes de todo o país, já que serão os enfitriões do evento que acontecerá unidade Paraíso da UNIP, nesse final de semana.

O processo eleitoral abrangeu os campus Paraíso, Vergueiro, Norte, bacelar, Cidade Universitária, Anchieta, Chácara Santo Antônio, Pinheiros e Tatuapé, demonstrando a força e a capilaridade do movimento estudantil nesta universidade. Em número de alunos, a UNIP é uma das maiores instituições privadas de ensino do país.

A União da Juventude Socialista apresentou várias lideranças para a composição da chapa, dentre elas os estudantes Marcelo Freitas, Jardel e Márcio Bico. Bico, estudante de jornalismo do campus Paraíso e membro da direção municipal da UJS, foi escolhido para presidir a nova gestão.

"Nós, alunos da UNIP, estamos muito felizes por receber estudantes de todo o país nesse CONEG da UNE. Será para nós uma grata responsabilidade. Tarefa ainda maior, e que pretendemos cumprir com muito trabalho e dedicação, é a organização de uma grande delegação de estudantes da UNIP para participar do Congresso da UNE. Queremos que seja a maior mobilização já feita pela UNIP da capital para uma atividade da UNE", aponta o presidente eleito.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Coneg: "O Congresso da UNE já está na rua"

Nos dias 21 e 22 de março acontecerá o Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG) da UNE, na cidade de São Paulo. A reunião de UEEs e Diretórios Centrais de Estudantes definirá a data, o local e convocará oficialmente o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes. O encontro também elege a Comissão Nacional de Credenciamento e Organização (CNCO) e aprova o regimento interno do Congresso.

São esperados DCEs de universidades públicas e particulares de todo o país. As entidades cadastradas já estarão em condições de realizar o processo de eleição de delegados em suas universidades. No caso de instituições de ensino que não tiveram representação estudantil no Coneg, o processo poderá ser desencadeado a partir de uma comissão de estudantes que coordenarão as eleições no local.

"O processo de Congresso, na realidade, já começou quando realizamos um grande e vitorioso Coneb e construímos o Projeto de Reforma Universitária da UNE. Mas agora, depois do Coneg, tem início o processo de eleição de delegados propriamente dito. O Congresso toma às salas de aulas, os ambientes da universidade", diz Márcio Cabral, diretor de Movimento Estudantil Universitário da UJS.

O movimento Da Unidade Vai Nascer a Novidade, do qual a UJS participa, está mobilizando uma grande delegação de entidades para o evento. "Nosso movimento já realizou intenso processo de debates com os Centros Acadêmicos e agora faz o mesmo com os DCEs. Vamos com toda a força construir a maior mobilização da história dos Congressos da UNE. O Congresso da UNE já está na rua", aponta.

De São Paulo,

Fernando Borgonovi

sexta-feira, 6 de março de 2009

UJS convoca a ENUNI 2009

A coordenação nacional do Movimento "Da unidade vai nascer a novidade" e a União da Juventude Socialista já definiram a programação do nosso Encontro Nacional de Universitários - ENUNI 2009.

Em breve estaremos disponibilizando o Texto Base do Econtro e estão convidados todos os militantes da UJS e do movimento estudantil universitário.
O Encontro ocorrerá nos dias 23 e 24 março em São Paulo. Maiores informações pelo e-mail:


ENCONTRO NACIONAL DE UNIVERSITÁRIOS – ENUNI 2009
“Da unidade vai nascer a novidade”
São Paulo – 23 e 24 de março de 2009


Programação:

23/03 - segunda-feira

9 horas – Capitalismo em crise e a nova luta pelo socialismo
Painelista: Renato Rabelo (Vice-Presidente da UNE gestão 1966/1967 e atual Presidente do Partido Comunista do Brasil)

12 horas – Almoço

14 horas – Enfrentar a crise – o papel do movimento juvenil brasileiro
Painelistas: Danilo Moreira (Diretor da UNE nas gestões 1999/2001 e 2001/2003), atual Presidente do Conselho Nacional de Juventude – Conjuve; Marcelo Brito (Gavião) Presidente Nacional da UJS

16 horas – Debates em Grupos

18 horas – Jantar

19 horas – Os 25 anos da construção da UJS no movimento estudantil
Painelista: Ricardo Abreu (Alemão) – Diretor da UNE nas gestões 1989/1991 e 1991/1992; ex-Presidente Nacional da UJS
Debatedores: Waldemar Manoel Silva e Souza (Vice-Presidente da UNE 1989/1991) e Julio Vellozo (Diretor de Movimento Estudantil da UJS de 2003 a 2007)

21 horas – Atividade Cultural


24 de março - terça-feira

9 horas – Da unidade vai nascer a novidade – o Projeto Estratégico da UJS no movimento universitário
Debatedores: Lúcia Stumpf – Presidenta da UNE e Márcio Cabral – Diretor de Movimento Universitário da UJS

10:30 horas – Debates em Grupos

12 horas – Almoço

14 horas – Plano de Ação da UJS para o movimento universitário
Apresentação: André Tokarski – coordenador do Coletivo da UJS na UNE
Debate em Plenário

18 horas - Encerramento

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

CONEB DA UNE FORTALECEU A UNIDADE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL

O 12º Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB) da UNE, que reuniu, em Salvador, 1400 Centros Acadêmicos e Diretórios Acadêmicos, foi uma demonstração da vitalidade do movimento estudantil e da crescente importância da União Nacional dos Estudantes nos debates educacional e político do país.

Esse evento também provou que a pluralidade de opiniões e o debate democrático fortalecem o movimento, revitalizam sua pauta política e contribuem muito para a construção da unidade. Prova disso foi a divulgação do manifesto "Mudar a política, tranformar a universidade, fortalecer o Brasil", feito a muitas mãos, assinado por um amplo leque de correntes políticas, que apontou para a coesão movimento como a principal arma no enfrentamento dos setores conservadores e para a conquista da Reforma Universitária dos estudantes.
Leia abaixo a íntegra do Manifesto:

Mudar a política, transformar a universidade, fortalecer o Brasil

O mundo não é mais o mesmo de dez anos atrás! No último período vivemos um processo de grande questionamento do papel do Estado e de intensa financeirização da economia. No entanto, esse mito da “competência” da iniciativa privada está exposto nesta crise do capitalismo.

É inegável que a hegemonia do neoliberalismo nos anos 90 impediu a implementação de políticas mais ousadas na América Latina. Com todas as contradições com as quais tivemos que lidar nos últimos anos abre-se agora uma dupla possibilidade com a crise econômica mundial: a de sermos novamente achatados, caso não nos mobilizemos, ou a de conseguirmos construir uma alternativa mais vigorosa. Os neoliberais, ao primeiro sinal, já levantaram a bandeira da “flexibilização” dos direitos trabalhistas e corte de postos de trabalho, importando-se exclusivamente em manter altas as taxas de lucros de suas grandes empresas.

Nós do movimento social, queremos fortalecer e aprofundar o movimento impulsionado pela eleição de governos progressistas na América Latina, como Venezuela, Brasil, Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina, que se somaram à experiência de 50 anos da revolução cubana, e vem garantindo investimentos em infra-estrutura, democratização do Estado através de maior participação do povo, distribuição de renda, geração de emprego e investimentos em áreas sociais.

Nesse tortuoso caminho percorrido até aqui, se pode ter clareza que houve avanço, mas também fica nítido que este poderia ter sido bem mais significativo.

Precisamos nos unificar em torno de bandeiras concretas para fazer a disputa de hegemonia, fortalecendo o campo democrático popular e travando de forma mais consistente a defesa do Estado como indutor de políticas sócio-econômicas que favoreçam as maiorias. É fundamental lutarmos pela redução dos juros e a dinamização do mercado interno como saídas para enfrentar a crise. Não podemos aceitar cortes de investimentos fundamentais para cimentar os caminhos do desenvolvimento econômico, social e cultural, como as verbas do PAC ou da Educação.

O sentimento de ampliação do Estado se faz gritante para frear as conseqüências da “auto-regulamentação” da “mão invisível” do mercado. No entanto, não se trata regulamentar o sistema financeiro ou utilizar recursos públicos para impedir nova quebradeira e garantir os lucros dos especuladores. A ação planejada e estrutural do Estado deve se orientar principalmente para a universalidade da proteção social, defender a progressividade da tributação, a ampliação do investimento estatal em infra-estrutura, a democratização das estruturas de poder, produção e consumo, bem como a socialização das riquezas.

Em específico, esta orientação estatal deve fortalecer a universidade pública, que deve ser capaz de planejar e orientar um projeto de desenvolvimento democrático e sustentável. O domínio das novas tecnologias, nas áreas da biotecnologia, química fina e matrizes energéticas contribuirá sobremaneira para a efetiva libertação do nosso país em relação ao domínio das corporações imperialistas.

Nossa luta histórica em defesa da educação teve avanços importantes sob o governo Lula. Muito do sucateamento, fruto da “Era FHC”, foi revertido. Conquistamos a expansão das universidades federais através do REUNI e a inclusão de jovens de baixa renda na universidade através do PROUNI. Garantimos investimentos significativos em Assistência Estudantil e conquistamos mudanças no FIES que melhoraram as condições do financiamento dos estudantes. Avançamos com o SINAES, na medida em que diminuímos o peso do ENADE no sistema avaliativo, dentre diversas outras vitórias.

No entanto cabe aos estudantes brasileiros lutar pela consolidação dessas vitórias, aprimorá-las e apresentar alternativas ainda mais ousadas que permitam democratizar verdadeiramente a Universidade Brasileira, colocando-a a serviço de um projeto popular e democrático de nação.

A Universidade que queremos tem que ter mais democracia e participação tanto da comunidade acadêmica, quanto da sociedade, que deve ter acesso e interferir no que lá se produz. Tem que ter mais gente: os estudantes de escola pública, os pobres, os negros, os índios e toda a diversidade do povo brasileiro que ainda está à margem na universidade de hoje.

Somos contra a mercantilização da educação e lutamos pelo controle público das instituições educacionais. Não queremos nossa educação entregue aos grandes tubarões de ensino, principalmente às multinacionais que aqui se instalam para pasteurizar as universidades brasileiras. Queremos qualidade no quadro docente, amplo acesso à pesquisa e à extensão, assistência estudantil, bibliotecas e passe estudantil.

Por isso, o Movimento Estudantil deve estar coeso na construção do nosso projeto estratégico de Reforma Universitária. Devemos levantar bem alto esta bandeira e apresentar com firmeza e unidade o nosso modelo de universidade, que é popular, é democrático e acima de tudo, um bem público.

Em 2010 ocorrerá a Conferência Nacional de Educação e com ela, se descortina uma chance histórica de alterar a estrutura da universidade brasileira. Lá enfrentaremos o debate de frente com aqueles que acham que o Estado deve se desobrigar da educação e que a educação é meramente uma fonte de lucro.

Este CONEB é a grande oportunidade para darmos um salto de qualidade na nossa luta, em nossos projetos e construir um programa coeso e de consenso que dê consistência ao nosso movimento estudantil. A superação do projeto neoliberal e a construção de um novo projeto de nação passam necessariamente pela política e pela educação. Devemos nos mobilizar para esta construção!

Salvador, 17 de janeiro de 2009.

Assinam este manifesto as teses:

Construindo um Novo Brasil
Diretas Já!
Kizomba
Movimento Da Unidade vai Nascer a Novidade
Movimento Mudança
Mutirão
Refazendo
Reconquistar a UNE